Grutas – Maquiné, Rei do mato e Lapinha

 
Período: Um dia.

 

PROGRAMAÇÃO:

 

07:30 – Apresentação na portaria da escola;

08:00 – Partida com destino à Gruta Rei do Mato

            (município de Sete Lagoas);

09:00 – Desembarque e visita guiada à Gruta Rei do Mato;

11:00 – Partida para a Gruta do Maquiné

            (município de Cordisburgo);

12:00 – Desembarque e almoço;

14:00 – Visita guiada à Gruta do Maquine;

16:00 – Retorno;

18:00 – Desembarque na porta da Escola.

 

Obs. Opcional: Visita ao Museu Guimarães Rosa em

        Cordisburgo.

 

Importante –  Caminhando no interior das grutas:

  • Não se aventure desacompanhado, ande sempre com um guia ou com uma pessoa experiente;

  • Escolha um calçado leve, com solado macio e antiderrapante, fique atento para não pisar em espeleotemas ou quebrá-los;

  • Não retire ou quebre nada nas grutas, tomando cuidado especial com as formações, não toque nas formações;

 

Incluso:

Transporte de ida e volta em ônibus convencional de turismo, com embarque e

desembarque na portaria da escola; ingresso para entrada nas grutas com direito à

palestra de um guia local oferecido pelas grutas do Rei do Mato e do Maquiné; almoço;

cortesia para dois professores acompanhantes.

 

Sobre as Grutas:

 

Histórico Geológico:

A ciência admite que o nosso planeta tenha se consolidado a partir de uma poeira cósmica há cerca de 4,5 bilhões de anos.     

 

A Espeleologia, ciência responsável pelo estudo das grutas, enumera cinco fases com as origens das grutas calcárias  e as  mudanças por elas sofridas através dos tempos.

 

Primeira fase: Formação da rocha calcária

 

Há mais ou menos 600 milhões de anos, no fim do período Pré-cambriano e início do Cambriano (ver figura 2 - Escala Geológica), a região do vale do Rio São Francisco estava coberta por um mar raso. Lentamente, começou a se depositar no fundo desse mar em extensas camadas horizontais o cálcio dissolvido na água, iniciando-se, assim, a formação da rocha calcária. Em alguns lugares tais sedimentos atingem 200m ou mais de espessura. Mais tarde, o mar se retirou e surgiu a terra firme. No devoniano, há 350 milhões de anos, animais e plantas iniciaram a colonização destas vastas áreas.

 

Segunda fase: Espeleogênese (Dissolução do calcário e formação das grutas)

Muito mais tarde, há 60 milhões de anos, no Terciário inferior, o vale do Rio São Francisco foi aplainado, para, no fim daquele período, os rios começarem a cortar seu atual leito ao longo da grande planície.

 

Devido aos movimentos da crosta terrestre, os extensos e horizontais lençóis de rochas sedimentares sofreram dobras, fraturas e fendas. A água, carregada de ácido carbônico da atmosfera, entra por essas fendas e corre mais ou menos ao longo da superfície de contato das diversas camadas sedimentares , dissolvendo e arrastando o calcário. Rios inteiros podem então desaparecer e tornar a aparecer, cavando grandes túneis no seio da rocha viva.

 

Quando tais rios e lençóis de água passam a correr em níveis mais baixos, as galerias que inicialmente eram sempre inundadas passam a sê-lo só periodicamente, na ocasião das chuvas. Por fim, os rios, cortando as rochas mais profundamente ainda, deixam as grutas em posição mais altas e conseqüentemente mais secas como é o caso da gruta do Maquiné, que se encontra atualmente em ponto elevado na encosta sul do vale.

 

Terceira fase: Início da formação dos espeleotemas

A água ácida que formou as galerias, dissolvendo e carregando a rocha calcária, inicia paralelamente um trabalho inverso e construtivo; decora os grandes vãos abertos com deslumbrantes figuras brancas ou coloridas em formas de velas, colunas, órgãos escadarias etc. Todo este fantástico trabalho beneditino de uma gota d'água pode ser visto ainda em muitos lugares na gruta do Maquiné, mas principalmente na sexta câmara - "Castelo das Fadas".

 

Os cientistas chamam estas formações de "espeleotemas", que poderiam ser definidos como depósitos de formas mais ou menos bizarras que se estruturam a partir de uma solução química por precipitação do carbonato.

 

Quarta fase: A deposição da terra vermelha e ossadas no solo da gruta

Depois de aberta e em parte decorada por "espeleotemas", começa agora a ser depositado no solo da gruta uma terra avermelhada trazida do exterior pela água corrente. Este trabalho de deposição é relativamente recente e deve ter-se vindo processando desde o Pleistoceno, ou seja, há um milhão de anos. Tal terra de aluvião foi aí depositada pela força das enxurradas, através da própria entrada da gruta , pelas fendas e outras aberturas que se encontram por toda parte nas rochas calcárias. Ulteriormente, sobre o solo mais ou menos compacto pode-se formar uma capa ou piso de estalagmite.

 

Em muitos lugares a terra de aluvião que, devido à impregnação de calcário se pode tornar muito consistente, está cheia de ossadas de animais. As datas estratigráficas destes restos esqueletais tornam-se, assim, difíceis de precisar, pois que tais depósitos são, na maioria das vezes, de origem secundária.

 

Quinta fase: O período humano da gruta.

Os primeiros homens que por aqui chegaram (a mais ou menos 5 a 10.000 anos) fizeram da gruta seu abrigos. Lund em 1834, encontrou no solo da entrada da gruta do Maquiné material lítico, "trabalhado com arte".

     

 

Bibliografia:

- CARTELLE,  CÁSTOR - Tempo passado. Mamíferos do pleistoceno em minas gerais. Editora Palco, 1994;

- McALESTER, A LEE. História geológica da vida. Editora Edgard Blücher Ltda, 1971

- VALLE, CÉLIO M C - A gruta ou lapa do maquiné. Editora Veja S A, 1975;

- Revista Ciência Hoje, ano 1 número 5, março / abril de 1983;

- Revista Ciência Hoje Volume 18, número 108, abril de 1995;

- Revista Ciência Hoje Volume 19, número 114, outubro de 1955;

- Museus Mineiros, Minas Gerais número 6, abril de 2001.